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Ventos do Oriente

Ao longo das últimas décadas, atraídos pelas oportunidades económicas do Espaço Schengen e pelos incentivos laborais e legais dos países Europeus pata atrair imigrantes não qualificados para setores da economia informal, muitos asiáticos deixaram os seus países rumo a Portugal.

A primeira grande vaga de imigração de origem oriental a chegar a Portugal veio da China e teve início nas décadas de 1980 e 1990, altura em que a República Popular da China levantou várias restrições à mobilidade internacional dos seus cidadãos.

Os imigrantes chineses de Hong Kong e Macau formam uma pequena parte da comunidade chinesa em Portugal, e vieram para Portugal com motivações diferentes, já nos anos 90 do século XX. Os cidadãos naturais de Macau e Hong Kong foram motivados a abandonar a sua terra por uma questão de incerteza quanto ao futuro, com a transição dos territórios para soberania Chinesa, em 1997 e 1999, respetivamente.

O maior grupo de imigrantes chineses em Portugal é, contudo, oriundo da província de Zhejiang, localizada no sul do país, perto do mar. Nesta província, há uma tradição histórica da emigração para o estrangeiro, com o propósito de trabalhar e ganhar dinheiro. Os imigrantes chineses de Zhejiang têm geralmente experiência no comércio e são reconhecidos na China como hábeis comerciantes. Não é por isso de estranhar que a maior parte da comunidade Chinesa em Portugal se dedique sobretudo ao comércio e restauração.

Já nas primeiras décadas do século XXI, uma nova e grande vaga de imigrantes asiáticos chega a Portugal. Cidadãos bengalis, nepaleses, paquistaneses e indianos emigraram para a Europa em busca de melhores condições de vida, mas também em fuga do terrorismo, das alterações climáticas e da instabilidade política locais.

Muitos seguiram para o Alentejo e Algarve, onde se empregaram na agricultura, em condições geralmente precárias. Outros instalaram-se nas cidades e suas periferias, como é o caso de Lisboa, onde se dedicam sobretudo ao pequeno comércio e restauração, à construção civil ou a serviços de entregas ao domicílio. Uma grande parte deste imigrantes viu-se obrigado a vender todas as suas posses, para apostar numa nova vida na Europa.

Tal como no caso da imigração de origem Chinesa, tradicionalmente, o primeiro a emigrar na família é o pai, ao qual se juntam mais tarde a mãe e os filhos Uma vez em Portugal, é comum a participação de toda a família no negócio da família, para o qual os filhos também contribuem Nestas comunidades, há um grande apego às tradições e costumes dos países de origem, e um espírito muito focado no esforço no trabalho, em prol de um futuro melhor.

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Chiau Man aka “Isabela”
Sing

São naturais de Sihai, Pequim, China

Isabela está em Queluz há 5 anos, Sing há 7 anos


Chiau Man ou Isabela (o nome português que escolheu e usa no dia à dia) é comerciante, e trabalha numa loja na zona dos Quatro Caminhos em Queluz.

Sing trabalha num restaurante Chinês na mesma zona.

Ambas moram por cima dos respetivos locais de trabalho e não querem revelar a idade. “Na China uma senhora não diz a idade!” - riem-se.

São amigas e conterrâneas: ambas nasceram e cresceram próximo de Sihai, uma cidade do distrito de Yanqing, na República Popular da China. “Entre nós, não falamos Mandarim, falamos a língua [dialeto] da nossa terra.”, conta Isabela. Mas só se conheceram em Portugal: na China, viviam a grande distância uma da outra, e nunca se cruzaram.

Isabela está em Queluz há quase 5 anos. Veio para Portugal sozinha, em busca de uma vida melhor. Quando chegou, não falava uma palavra de Português nem de Inglês, o que tornava difícil conseguir trabalho. Mas persistiu, e antes de se estabelecer em Queluz, trabalhou em Mem Martins, Massamá e até Mafra – sempre no comércio.

Na China, deixou então a filha pequena – esta só se reuniria à mãe um ano depois, Hoje tem 18 anos e terminou a escola secundária em Queluz.

Sing fez um percurso semelhante ao de Isabella e está em Queluz há cerca de 7 anos. Fala pouco Português, e é Isabela quem traduz: “ Ela veio para cá com a família, o marido e dois filhos. Tem uma filha com 24 anos e um filho com 2 anos e meio.” O filho mais novo de Sing já nasceu em Portugal.

Em cinco anos, Isabella só voltou à China duas vezes. Tem saudades da família, e da comida. “Tenho muita saudade, mas não dá… Tenho de trabalhar”, afirma.

Aliás, insiste que “Os Chineses em Portugal… É só trabalhar, trabalhar, toda a semana! O Chinês é tipo máquina! A loja não fecha.”

“Sem trabalhar, não há comer!” - interrompe Sing, muito séria.

 “Mas eu gosto de Portugal! O tempo em Portugal é muito bom! Não está calor nem está frio!” - comenta Isabela, sorridente.

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